quase um haiku

quando as luzes se apagam

decoro seus traços
com as pontas dos meus dedos...






Um pensamento sobre a morte

Uns dias atrás eu estava tentando dormir quando de repente comecei a me lembrar do meu avô.
Ele faleceu há dois anos, e nós não tínhamos muito contato porque ele morava no Chile.
No começo do ano em que ele faleceu, ele passou as férias de verão aqui em casa, e foi muito legal ter a chance de conhecê-lo mais.

Foi tão estranho pensar que nunca mais o verei nessa vida.

É estranho pensar que algumas pessoas vivem 100 anos, outras 39 (como a minha vó), outros muito menos, e todas essas pessoas simplesmente somem, desaparecem, como se elas se mudassem para um lugar tão longe que levaria uma vida inteira para encontrá-las novamente.

Acho que por isso a morte sempre causou tanto fascínio. É um mistério tão grande quanto a vida.
E logo a fé.. algo tão abstrato, é a nossa única garantia de que não somos assim tão inexplicáveis.

ter que agradar todo mundo, sempre com um sorriso no rosto, é uma MERDA!

prontofalei....

depois da tempestade...

Olá gente,

algumas meninas lindas e eu resolvemos abrir um blog de meninas para meninas, onde os meninos também são muito bem vindos. É o Garotas (In)Comuns. Posto todas as segundas, e sempre que vc tiver tempo, dá uma passadinha lá e comenta =)
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Depois da tempestade vem a calmaria.

Tenho refletido muito sobre a questão da justiça própria.
Nas últimas semanas passei por situações que nunca havia passado antes. Fui afrontada, confrontada, ofendida, em uma das vezes literalmente quase apanhei de uma pessoa, tudo por causa de inveja, porque essas pessoas estavam sendo obrigadas a sair da sua zona de confronto para colocar a mão na massa.

Fiquei muito decepcionada e meu sangue ferveu várias vezes, mas tive que suportar tudo calada. Engoli tudo a seco como Eno sem água. Doeu.

Eu queria poder gritar, enfrentar essas pessoas e ferí-las tão ou mais profundamente do que eu havia sido. Queria apontar o dedo e jogar na cara delas que tudo o que elas cobravam de mim elas mesmas não cumpriam.. mas eu não podia fazer isso...

Então resolvi passar uma procuração pro meu Advogado, e falei pra Ele que desses casos Ele cuidasse. Que Ele pleiteasse a meu favor perante o Juiz dos juizes, e apresentasse diante Dele as provas e os fatos. Assim, Ele, cujo trono fundamenta-se na verdadeira equidade e justiça, saberia sentenciar muito melhor do que eu.

Nenhuma daquelas pessoas foram fulminadas (ainda rs). Uma bigorna não caiu na cabeça delas, elas não sumiram e muito menos me pediram perdão.

Mas a partir daquele momento uma paz enorme inundou o meu ser, e uma certeza de que o Juiz estava me olhando, e que mesmo que as sentenças que eu queria ouvir não fossem proferidas, Ele que tudo sabe e tudo sonda, saberia o melhor pra mim e para as outras pessoas...

Demorou, mas eu entendi. Apenas quando entregamos nossas causas para o Advogado, podemos descansar de verdade.
=)

O banquete e o funeral

O pai de uma amiga muito querida faleceu na terça-feira. Ontem cedo fui ao enterro. O primeiro da minha vida, e com certeza não o último.
Em um momento como esses não há palavras que ajudem. O silêncio e a presença eram as únicas coisas que eu podia oferecer.

A família é cristã, e em meio a cerimônia um dos pastores leu eclesiastes 7:2, que diz, "Melhor é ir à casa onde há luto do que ir a casa onde há banquete; porque naquela se vê o fim de todos os homens, e os vivos o aplicam ao seu coração".

Eu já havia lido essa passagem algumas vezes, porém até ontém, nunca a havia compreendido.
Ao ver minha amiga sofrendo tanto, e o pai dela estendido em um caixão, comecei a refletir sobre minha vida, minhas prioridades, o que desejo para mim. As coisas que ando pensando, onde estão os meus valores e reais necessidades...

É clichê, mas de fato a vida é tão curta. Deus emprestou aquele homem para a minha amiga por 22 anos, e passou tão rápido! e nós nos prendemos em problemas tão triviais, gastamos nossa energia discutindo se "a" é realmente "a", se 1+1 é mesmo 2, querendo juntar tesouro que a traça corrompe, que a crise destrói... perdemos nossas forças e fôlego fazendo aquilo que não nos leva à nada, que não nos garante nenhuma recompensa eterna.
Afinal, o que é a morte senão uma mudança de endereço? seria muita falta de consideração e educação chegar diante de nosso Anfitrião de mãos vazias...

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Em banquetes ninguém se preocupa em refletir. Neles celebra-se a vida, a conquista. Em funerais chora-se a morte, a celebração da vida eterna acaba dando lugar ao desespero, a saudade.

Enfim, seria meio macabro dizer que prefiro funerais à banquetes. Mas certamente nenhum banquete mudará meu rumo como aconteceu ontem.
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O "sábio" sabia mesmo do que estava falando...